Por que não se deve engordar muito durante a gravidez?

Devido ao aumento do risco de ter problemas como hipertensão e diabetes gestacional. Grávidas obesas são consideradas pacientes de risco. Isso quer dizer que vão precisar de cuidados especiais como outras mulheres em condições frágeis (com diabetes, hipertensão e idade avançada, só para citar alguns exemplos). É, sem dúvida, preocupação extra para a família e para o obstetra;

Por http://www.renatokalil.com.br



Se você não quer ter problema para perder os quilos ganhos durante a gestação, é melhor controlar os ponteiros da balança nos nove meses. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Queensland, na Austrália, revelou que as mulheres que ganham peso excessivo durante a gestação têm até quatro vezes mais chances de se tornarem obesas. Para o estudo, os pesquisadores mediram o IMC de 2.055 mulheres que tiveram filhos entre 1981 e 1983. Vinte e um anos darem à luz, aquelas que engordaram além do ideal estavam cerca de 20 quilos mais pesadas;

O corpo demora mais para voltar ao que era. As mães com sobrepeso ou obesas tendem a ficar mais tempo internadas e requerem mais medicamentos depois do parto. É o que mostra um estudo norte-americano realizado com 13 mil mulheres, publicado no New England Journal of Medicine. Além do maior número de cesárea nesse grupo, outro motivo seriam complicações, como pressão alta, pré-eclâmpsia e diabetes, que também são mais freqüentes nele. Além de voltar mais rápido ao peso, se a mulher não estiver muito gordinha ao engravidar, tem ainda menor risco de desenvolver estrias;

O excesso de peso potencializa alguns desconfortos comuns na gravidez, como dificuldade para respirar e andar. Isso porque há um maior esforço cardiovascular para suportar os quilos a mais. O peso do abdômen também causa dores nas costas e nas pernas, aumentando a sensação de cansaço;

A média do peso dos bebês de mulheres obesas é maior do que o normal, o que pode aumentar as complicações obstétricas durante o parto e, em conseqüência, a possibilidade de ocorrer uma cesárea. A obesidade também aumenta o risco de morte materna. No Reino Unido, por exemplo, estatísticas recentes mostram que metade das mulheres que faleceram por causa de doenças na gravidez ou parto eram obesas. Segundo o relatório, o risco é entre quatro e cinco vezes maior, tanto para a mãe quanto para a criança;

Um estudo do Departamento de Cuidados Ambulatoriais e Preventivos da Escola de Medicina de Harvard sugeriu que os quilos que a grávida ganha podem ter influência na saúde da criança, mesmo antes do nascimento. O trabalho mostra que gestantes com peso excessivo correm um risco maior de dar à luz a bebês com peso acima da média e com risco de se tornarem obesos ainda na primeira infância;

Outro estudo da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, mostra que a obesidade materna poderia aumentar a incidência de doenças congênitas no bebê. A análise de estudos e artigos antigos mostrou que o risco de aparecimento de doenças como hidrocefalia, má-formação do tubo neural e anomalias cardiovasculares é sensivelmente maior em mães obesas no início da gravidez do que em mães com peso normal;

A quantidade de peso ganho na gravidez também pode interferir no ambiente uterino, influenciando o crescimento fetal, o que reforça a tese de que certos tipos de doenças na vida adulta são "programadas" durante a gestação. Ainda que as conclusões sejam baseadas na quantidade de quilos ganhos na gravidez, não há como fugir: o "resultado final" (peso da mãe e do bebê) está diretamente relacionado ao peso da mulher ao engravidar;

Controlar o ganho de peso na gravidez é um ato de responsabilidade. E, algumas vezes, isso não significa apenas manter uma dieta equilibrada. É preciso lembrar que a obesidade é multifatorial, ou seja, não tem apenas uma causa.